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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Ulisses e as sereias


Ulysse et les sirènes. Mosaïque du musée du Bardo - Tunis, 2me siècle.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Um passeio pela História da Arte (Parte I)

Queridos,
coloco a seguir as imagens utilizadas na aula desta semana.

Laocoonte e seus filhos (175-50 a.C.), Hagesandro, Atenodoro e Polidoro de Rodes.

A ressureição de Lázaro (520 d.C.), mosaico da Basílica de Santo Apolinário, Ravena.

A Santíssima Trindade com a Virgem, S. João e doadores (1425-8), de Masaccio.

Os esponsais dos Arnolfini (1434), de Jan van Eyck.

Tomé, o Incrédulo (1602-3), de Caravaggio.
Então, o que me dizem?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Arcadismo (Revisão)

"Pauline as Daphne Fleeing from Apolloc" (1810) LEFÈVRE, Robert
Private collection
"The Bather" (1808) INGRES, Jean-Auguste-Dominique
Musée du Louvre, Paris

"Landscape with Figures Crossing a River" (s.d.) BIDAULD, Jean-Joseph-Xavier
Private collection

"Landscape with a Fortress and a Beggar" (s. d) BERTIN, Jean-Victor
Private collection
Iluminismo: conjunto das tendências ideológicas, filosóficas, científicas que nutriram o século XVIII; representava as idéias embasadas pelo espírito científico, experimental, enciclopédico e racionalista. Época movida por uma concepção otimista do mundo e pela crença inabalável no progresso humano, o iluminismo foi definido a partir da metáfora das Luzes: “luzes” que iluminam, que ilustram uma cultura nublada pelas “trevas” e pela mentalidade “obscurantista” barroca (que segundo os iluministas foi responsável pela interrupção das conquistas e dos avanços científicos do Renascimento).
Assim, no início do século XVIII ocorre a decadência do pensamento barroco, para a qual colaboraram vários fatores:
  • o exagero da expressão barroca havia cansado o público, perdendo terreno para o subjetivismo burguês;
  • o fortalecimento da burguesia que, atingindo a hegemonia econômica, lutava também pelo poder político (Declaração de Independência das Treze Colônias americanas 1776; Revolução Francesa 1789);
  • e o aparecimento dos filósofos iluministas: novo quadro sociopolítico-cultural, que necessitava de outras fórmulas de expressão.
Em 1748, Montesquieu publica O espírito das leis, obra na qual propõe a divisão do governo em três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). Voltaire, como Montesquieu, relacionado com a alta burguesia, defende uma monarquia esclarecida. Em 1851, dirigida por Diderot e D'Alembert, aparece a Enciclopédia, cultuando a razão, o progresso e as ciências. Importante papel desempenhou também Jean-Jacques Rousseau, autor de O contrato social, defensor de um governo burguês e do ideal de "bom selvagem (“o homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe”; portanto, o homem deveria voltar-se para o refúgio da natureza pura).
Combate-se a mentalidade religiosa criada pela Contra-Reforma, nega-se a educação jesuítica praticada nas escolas, valoriza-se o estudo científico e as atividades humanas, num verdadeiro retorno à cultura renascentista. É, portanto, neste contexto, que aparece em Portugal, no ano de 1746, a obra O verdadeiro método de estudar do padre Luís Antonio Verney, na qual é proposta uma reforma geral do ensino com base em idéias iluministas. Em sua obra, Verney ataca o “método português de pregar” e classifica o barroco como sinônimo de mau gosto, de perversão do engenho e da razão.
Foi nesse contexto de fermentação filosófica e lutas políticas que surgiu o Arcadismo, voltado para um novo público consumidor, formado pela burguesia e pela classe média. Como expressão artística dessas camadas sociais, o Arcadismo (ou Neoclassicismo) identifica-se com as idéias da Ilustração e veicula-as sob a forma de valores que se opõem ao tipo de vida levado pelas cortes aristocráticas e à arte que consumiam: o Barroco.
Daí a idealização da vida natural, em oposição à vida urbana; a humildade, em oposição aos gastos exorbitantes da nobreza; o racionalismo, em oposição à fé; a linguagem simples e direta, em oposição à linguagem rebuscada do Barroco. Esses valores artísticos e culturais assumiram, no contexto da sociedade européia do século XVIII, um significado de clara contestação política, já que flagravam os privilégios da nobreza e do clero e propunham uma sociedade mais justa, racional e livre.
A linguagem árcade é a expressão das idéias e dos sentimentos do artista do século XVIII. Seus temas e sua construção procuram adequar-se à nova realidade social vivida pela classe que a produzia e a consumia: a burguesia. A literatura tem por objetivo restaurar o equilíbrio por meio da razão.
Características:
  • Arte ligada ao Iluminismo. Oposição ao absolutismo despótico e ao poder da Igreja.
  • Afirmação orgulhosa da racionalidade: Razão = Verdade = Simplicidade e clareza.
  • Culto da simplicidade.
  • Imitação dos clássicos gregos.
  • Bucolismo: adequação do homem à harmonia e serenidade da natureza.
  • Pastoralismo: celebração da vida pastoril, vista como um eterno idílio;
  • Ausência de subjetividade. O autor não expressa o seu próprio eu, adota uma forma pastoril (pseudônimo).
  • Amor galante: o amor é entendido como um conjunto de fórmulas convencionais. Na poesia árcade, as situações são artificiais; não é o próprio poeta quem fala de si e de seus reais sentimentos. No plano amoroso, por exemplo, quase sempre é um pastor que confessa o seu amor por uma pastora e a convida para aproveitar a vida junto à natureza. Convencionalismo amoroso que impede a livre expressão dos sentimentos: o que mais importava ao poeta árcade era seguir a convenção, fazer poemas de amor como faziam os poetas clássicos, e não a expressão dos sentimentos.
  • Fugere urbem (fuga da cidade): influenciados pelo poeta latino Horácio, os árcades defendiam o bucolismo como ideal de vida, isto é, uma vida simples e natural, junto ao campo, distante dos centros urbanos. Tal princípio era reforçado pelo pensamento do filósofo francês Jean Jacques Rousseau, segundo o qual, a civilização corrompe os costumes do homem, que nasce naturalmente bom.
  • aurea mediocritas: idealização de uma vida pobre e feliz no campo, em oposição à vida luxuosa e triste na cidade (exaltação do trabalho manual e do sentimento, em oposição ao artificialismo e às facilidades da vida urbana).

Barroco (Revisão)

"Moça com brinco de pérolas" (1665) VERMEER, Johannes
Mauritshuis, The Hague
"Vaidade" (s.d.) PIOLA, Domenico
Private collection, Genoa
"São Francisco" (1606) CARAVAGGIO
Galleria Nazionale d'Arte Antica, Rome
"Milagre de São Frascisco de Paula" (1750) CAPPELLA, Francesco
Museo Diocesano, Cortona
Em meados do século XVI a Europa passa por uma crise espiritual, moral e cultural: as conquistas do Renascimento tinham ido longe demais... Tal colapso da Renascença se deveu a abalos sofridos pela Ciência, Religião e Ética então vigentes: Copérnico (heliocentrismo); Lutero (Reforma Protestante – 1517) e Maquiavel (duplo padrão de moralidade), cada um em sua esfera, desconcertavam a ordem teocêntrica do universo.
Tal sensação desconcertante – de um lado o respeito aos dogmas, o apelo da espiritualidade e da fé, de outro, a vontade de conhecer, de experimentar, o humano e o terreno – atravessará todo esse período, marcando definitivamente o homem barroco por uma consciência dilemática e contraditória.
Diante desse surto de novas idéias, de novas condutas morais e de divisão da própria cristandade, a ordem reinante, abalada, buscou definir com bastante rigor a fronteira entre as leis da Igreja e a heresia, entre a Fé e a Ciência. O saber da fé não dava fé ao saber científico. Assim, a reação da Igreja católica veio com a Contra-Reforma (Concílio de Trento, 1545-1563), com a criação da Companhia de Jesus (1540) e com o endurecimento da Inquisição.
É importante ressaltar que, se há no período um sentido extremamente desenvolvido, este é a visão. Não parece obra do acaso o desenvolvimento e a exploração, neste período, do microscópio (1590) e do telescópio (1608). Também não é à toa que uma das diretrizes do Concílio de Trento, de onde surgiram os preceitos da Contra-Reforma, fosse exatamente a captura do fiel por meio da arte pictórica, da imagem, dos grandes monumentos, das suntuosas igrejas, da riqueza dos ornamentos, enfim, de uma verdadeira festa para o olhar. Em busca de uma Igreja moderna, renovada, capaz, portanto, de recuperar o prestígio abalado, as novas diretrizes estabelecidas para a arte tinham como função a conquista da alma por meio da exuberância da fé. A nova arte deveria ofuscar os sentidos, maravilhar, extasiar.
A Igreja Católica passava, então, a atribuir à pintura uma função catequética tão evolvente, tão eficaz, que as técnicas pictóricas acabaram se transferindo para a literatura: criaram-se verdadeiros “quadros verbais”, “pinturas vivas” do que se pretendia contar.
Será portanto muito comum na literatura barroca o desejo de explorar a sensibilidade óptica de seus leitores, quer mediante a utilização de metáforas eminentemente visuais, quer através de técnicas persuasivas que encontrassem nos olhos o caminho da mente e da vontade (“Entregar à mente colocando ante os olhos”, “a nossa alma rende-se muito mais pelos olhos que pelos ouvidos”).
A importância da prosa doutrinal religiosa nesse período, o reinado dos sermões, advém também das diretrizes do Concílio de Trento: além da pintura com fins doutrinais, prescrevia-se da mesma maneira a formação de pregadores capazes de mover e comover pedras.
As características barrocas podem ser sintetizadas em:
  • Dualidade/Contradição: Fé X Ciência; Alma X Corpo; Salvação X Pecado;
  • Exuberância das artes; apelo visual;
  • Movimento; curvas, sinuosidades;
  • Linguagem figurativa: alegorias; metáforas, sinestesias, antíteses e paradoxos;
  • Conflito do homem barroco: Antropomorfismo X Teocentrismo;
  • Cultismo: jogo de palavras;
  • Conceptismo: jogo de idéias.