sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

"Canto de Ossanha"


Canto de Ossanha
(Vinicius de Moraes e Baden Powell)

O homem que diz "dou"
 não dá
Porque quem dá mesmo 
não diz
O homem que diz "vou" 
não vai
Porque quando foi 
já não quis
O homem que diz "sou"
 não é
Porque quem é mesmo é “não sou”

O homem que diz "estou" 
não está

Porque ninguém está
 quando quer
Coitado do homem que cai

No canto de Ossanha, 
traidor
Coitado do homem que vai

Atrás de mandinga de amor


Vai, Vai, Vai, Vai, 
não vou
Vai, Vai, Vai, Vai,
 não vou
Vai, Vai, Vai, Vai,
 não vou
Vai, Vai, Vai, Vai, não vou
Que eu não sou ninguém de ir

Em conversa de esquecer

A tristeza de um amor
 que passou
Não, eu só vou se for pra ver

Uma estrela aparecer

Na manhã de um novo amor


Amigo sinhô

Saravá

Xangô me mandou lhe dizer

Se é canto de Ossanha, não vá
Que muito vai se arrepender

Pergunte pro seu Orixá

Amor só é bom se doer


Vai, Vai, Vai, Vai,
 amar
Vai, Vai, Vai, Vai,
 sofrer
Vai, Vai, Vai, Vai,
 chorar
Vai, Vai, Vai, Vai, dizer
Em conversa de esquecer

A tristeza de um amor
 que passou
Não, eu só vou se for pra ver

Uma estrela aparecer

Na manhã de um novo amor


Escute aqui a versão original.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

"Samba canção", de Ana Cristina Cesar

Samba canção

Tantos poemas que perdi. 
Tantos que ouvi, de graça, 
pelo telefone – taí,
eu fiz tudo pra você gostar, 
fui mulher vulgar, 
meia-bruxa, meia-fera, 
risinho modernista
arranhando na garganta,
malandra, bicha,
bem viada, vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras
(era comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz...



Confira o vídeo de Ana C. recitando este poema aqui.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

"Imitação da água", de João Cabral de Melo Neto

Imitação da água

De flanco sobre o lençol,
paisagem já tão marinha,
a uma onda deitada,
na praia, te parecias.

Uma onda que parava
ou melhor: que se continha;
que contivesse um momento
seu rumor de folhas líquidas.

Uma onda que parava
naquela hora precisa
em que a pálpebra da onda
cai sobre a própria pupila.

Uma onda que parara
ao dobrar-se, interrompida,
que imóvel se interrompesse
no alto de sua crista

e se fizesse montanha
(por horizontal e fixa),
mas que ao se fazer montanha
continuasse água ainda.

Uma onda que guardasse
na praia cama, finita,
a natureza sem fim
do mar de que participa,

e em sua imobilidade,
que precária se adivinha,
o dom de se derramar
que as águas faz femininas

mais o clima de águas fundas,
a intimidade sombria
e certo abraçar completo
que dos líquidos copias.




sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Dissertação


CARACTERÍSTICAS DA DISSERTAÇÃO

O texto dissertativo é, por definição, aquele em que desenvolvemos um tema com o objetivo de esclarecer seus aspectos principais e, eventualmente, apresentar nosso ponto de vista. Quando esse tipo de texto faz apenas um panorama das idéias principais relativas ao tema, sem defender uma opinião específica, ele recebe a designação de dissertação expositiva; quando, ao contrario, o objetivo do autor é convencer os leitores de seu ponto de vista, trata-se de uma dissertação argumentativa.
Em geral, as provas de vestibular não costumam fazer menção a textos puramente expositivos. Espera-se que o candidato apresente senso critico em sua redação e, para isso, nada melhor do que redigir uma argumentação propriamente dita. Assim, daqui em diante, sempre que falarmos de dissertação, faremos referencia aos textos de caráter argumentativo, mesmo que essa denominação não seja explicitada.

DEFESA DE UM PONTO DE VISTA

Considerando o caráter argumentativo de que falamos, não será difícil perceber que é necessário “tomar partido” em qualquer redação de vestibular. Precisamos de todas as armas necessárias a levar o leitor a concordar  com nossa opinião. Essa é uma tarefa que faz uso constante do raciocínio lógico e da organização das idéias.
Cumpre ressaltar, a esse propósito, que as Bancas não avaliam qual é o ponto de vista do candidato, uma vez que todos temos liberdade de pensamento. No entanto, como em sociedade não basta ter uma opinião, sendo preciso justificá-la e fundamentá-la, os examinadores procuram avaliar essas competências na correção das provas.

LINGUAGEM IMPESSOAL

Por se tratar de texto técnico, a dissertação deve tratar do tema proposto com uma linguagem impessoal.  Alem da credibilidade alcançada, obtém-se a vantagem de tornar a redação até mesmo mais consistente, ao tratar da opinião defendida como uma verdade indiscutível. É por essa razão que evitamos a 1a pessoa do singular (“eu”; “penso”; “na minha opinião” etc.), o que alem de tudo, seria redundante, uma vez que o texto é escrito por apenas uma pessoa e contém suas idéias.

OBJETIVIDADE

Alem da linguagem, espera-se que o redator de uma dissertação seja capaz de tratar o tema com critérios objetivos. Dito de outro modo, seria inadequado deixar-se influenciar por aspectos emocionais e religiosos, por exemplo, ao discutir um tema como legalização do aborto. Embora existam razões respeitáveis do ponto de vista puramente irracional, eles não se combinam com o caráter exclusivamente racional da dissertação.

MODALIDADE ESCRITA/PADRÃO CULTO

Ninguém precisa ter conhecimento profundo de gramática para saber que existem profundas diferenças entre o uso oral do idioma e sua utilização escrita. Palavras como “aí” e “coisa”, por exemplo, só fazem sentido se houver um contexto físico que esclareça seus significados. A repetição de palavras, também, é fundamental em um dialogo, para que o assunto permaneça despertando atenção. Na escrita, entretanto, a imprecisão do vocabulário e as repetições lexicais, entre outros aspectos, constituem inadequações a serem evitadas.
Ao mesmo tempo, por se tratar de uma prova integrante da disciplina Língua Portuguesa, a redação deve ser produzida dentro dos limites da norma culta, ou seja, sem erros gramaticais. Isso não significa que precisemos ser sofisticados; um bom texto, claro e natural, pode fazer uso dessa norma e ser perfeitamente aceitável para o leitor comum.

ESTRUTURA LÓGICA

Assim como uma conversa, um filme e um dia têm começo, meio e fim, também uma dissertação é dividida em etapas, denominadas, respectivamente de introdução, desenvolvimento e conclusão. A cada uma corresponde uma função específica dentro da estratégia maior de convencer o leitor. Ao mesmo tempo, o desempenho de cada função pode ser feito de maneira original e inteligente, fugindo ao puro didatismo, conforme veremos depois.

QUALIDADES

Um texto dissertativo que se enquadre nos parâmetros descritos até aqui não necessariamente “merece” nota dez. Isso porque, nesse caso, o aluno estaria apenas cumprindo obrigações, Alem dos aspectos fundamentais, portanto, a redação “perfeita” deve apresentar coesão, clareza, coerência, concisão, profundidade, senso critico e criatividade. Não é pouco, sem dúvida. Por isso, não há mágica que faça um aluno redigir melhor da noite para o dia. Apenas aos poucos, com dedicação e reflexão, será Possível incorporar tantas qualidades ao próprio texto.

(Fonte: Rabin, Bruno. Redação. Módulo 1. Rio de Janeiro: Fundação Cecierj, 2007, p. 24-5)

sábado, 31 de agosto de 2013

Um pouco de Cabral

Achei no youtube um trecho de Morte e vida severina (1954-55) recitado pelo próprio autor, o poeta João Cabral de Melo Neto. Para quem não sabe, esse lindo poema já foi musicado, já virou filme, peça de teatro e minissérie de televisão. O poema conta a jornada do retirante Severino (e de tantos outros) em busca de uma vida melhor. 

A parte recitada pelo poeta é o monólogo final do poema, que reproduzirei aqui para vocês:

O CARPINA FALA COM O RETIRANTE QUE ESTEVE FORA, SEM TOMAR PARTE DE NADA

– Severino retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga;
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina;
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com a sua presença viva.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
de uma vida severina.


quarta-feira, 15 de maio de 2013

sábado, 13 de abril de 2013

Cineclube LerUERJ, 18/04/13


Queridos,

na próxima quinta-feira, estarei no Cineclube do LerUERJ batendo um papo sobre as novas tecnologias na sala de aula.

A exibição do filme "A rede social" começará às 14:00h, ok?

Espero vocês!

P.S.: A foto do banner foi tirada pela professora da UERJ Stela Guedes, a quem agradeço.