sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Para assistir


Olá, pessoal!

Que tal três dicas bem legais de filmes para o final de semana?



O nome da rosa, de Jean-Jaques Arnaud, Alemanha, 1986. Baseado no romance homônimo de Umberto Eco, o filme trata das misteriosas mortes ocorridas em um mosteiro medieval. Para quem gosta de suspense, esse é o filme! É muito interessante também porque o filme ilustra o contexto de produção e circulação de cultura na Idade Média, pois retrata o universo dos monges copistas. Assista aqui.


Excalibur, de John Boorman, EUA, 1981. Aqui vocês vão encontrar as fantásticas narrativas das aventuras do Rei Arthur e dos cavaleiros da Távola Redonda. Neste filme, vocês vão acompanhar a sagração de Arthur, a formação de Camelot, a busca pelo Graal, a disputa pelo poder entre Morgana e Merlin, enfim, conhecerão todo universo das novelas de cavalaria.



As brumas de Avalon, de Uli Edel, EUA, 2001. Adaptação do best-seller homônimo de Marion Zimmer Bradley, o filme retrata o nascimento de Arthur, rei que comandaria a Bretanha e salvaria Avalon, ilha mística comandada por Viviane, uma sacerdotisa pagã. Vemos nesse filme a lenda do Rei Arthur ser contada sob uma nova visão. É muito interessante! Assista aqui.


Então, o que me dizem?

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Carmina Burana

Olá, queridos!

Na aula de amanhã falaremos de Idade Média e do nascimento da Literatura Portuguesa.

Para entrar no clima, que tal escutarmos a composição "O Fortuna" de Carmina Burana?


Carmina Burana; latim para ‘Canções de Beuern’ (abreviação de Benediktbeuern) é o nome dado a poemas e textos dramáticos manuscritos de 254. As peças são em sua maioria picantes, irreverentes e satíricas e foram escritas principlamente em latim medieval (...). Vinte e quatro poemas de Carmina Burana foram musicalizados por Carl Orff em 1936.”
                                                                              (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carmina_Burana)




Capa do CD Carmina Burana

“O Fortuna”
(Carl Off)

O fortuna
Velut luna
Statu variabilis,
Semper crescis
Aut decrescis;
Vita detestabilis
Nunc obdurate
Et tunc curat
Ludo mentis aciem,
Egestatem,

Potestatem
Dissolvit ut glaciem.

Sors immanis
Et inanis,

Rota tu volubilis,
Status malus,
Vana salus
Semper dissolubilis,
Obumbrata
Et velata
Michi quoque niteris;
Nunc per ludum

Dorsum nudum
Fero tui sceleris.

Sors salutis
Et virtutis
Michi nunc contraria,
Est affectus
Et defectus
Semper in angaria.
Hac in hora
Sine mora
Corde pulsum tangite;
Quod per sortem

Sternit fortem,
Mecum omnes plangite!
Roda da fortuna representada no códice de Carmina Burana

Códice (ou codex, palavra em latim que significa "livro", "bloco de madeira") era um manuscrito gravado, em geral, em madeira. 

(Tradução)

Ó fortuna
És como a Lua
Mutável,
Sempre aumentas
Ou diminuis;
A detestável vida
Ora oprime
E ora cura
Para brincar com a mente;
Miséria,
Poder,
Ela os funde como gelo.

Sorte imensa
E vazia,
Tu, roda volúvel
És má,
Vã é a felicidade
Sempre dissolúvel,
Nebulosa
E velada
Também a mim contagias;
Agora por brincadeira
O dorso nu
Entrego à tua perversidade.

A sorte na saúde
E virtude
Agora me é contrária.
E tira
Mantendo sempre escravizado
Nesta hora
Sem demora
Tange a corda vibrante;
Porque a sorte
Abate o forte,
Chorai todos comigo!

(Fonte: http://letras.mus.br/orff-carl/74710/traducao.html)

Então, o que me dizem?




quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Sobre variação linguística e outros temas

                                    Queridos,

para complementar nossa aula sobre variação linguística, sugiro que vocês assistam ao filme "Língua - vidas em português" (2004), direção de Vitcor Lopes. 



Trata-se de um documentário de 105 minutos coproduzido por Brasil e Portugal e filmado em seis países (Brasil, Moçambique, Índia, Portugal, França e Japão).



Para aqueles mais dispostos, que tal a continuação da leitura (iniciada em sala de aula) do interessantíssimo  A língua de Eulália: novela sociolinguística, de Marcos Bagno (2008)?



 





sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Boas-vindas!!!


                                                       "A dança", Henri Matisse (1933)

Sejam bem-vindos, alunos das turmas 1005 e 1006!

Este é um espaço feito para vocês!

Espero que possamos juntos, em comunhão, aprender, compartilhar descobertas e (por que não?) dançar com as palavras!

Beijos,

Luciana

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

"Canto de Ossanha"


Canto de Ossanha
(Vinicius de Moraes e Baden Powell)

O homem que diz "dou"
 não dá
Porque quem dá mesmo 
não diz
O homem que diz "vou" 
não vai
Porque quando foi 
já não quis
O homem que diz "sou"
 não é
Porque quem é mesmo é “não sou”

O homem que diz "estou" 
não está

Porque ninguém está
 quando quer
Coitado do homem que cai

No canto de Ossanha, 
traidor
Coitado do homem que vai

Atrás de mandinga de amor


Vai, Vai, Vai, Vai, 
não vou
Vai, Vai, Vai, Vai,
 não vou
Vai, Vai, Vai, Vai,
 não vou
Vai, Vai, Vai, Vai, não vou
Que eu não sou ninguém de ir

Em conversa de esquecer

A tristeza de um amor
 que passou
Não, eu só vou se for pra ver

Uma estrela aparecer

Na manhã de um novo amor


Amigo sinhô

Saravá

Xangô me mandou lhe dizer

Se é canto de Ossanha, não vá
Que muito vai se arrepender

Pergunte pro seu Orixá

Amor só é bom se doer


Vai, Vai, Vai, Vai,
 amar
Vai, Vai, Vai, Vai,
 sofrer
Vai, Vai, Vai, Vai,
 chorar
Vai, Vai, Vai, Vai, dizer
Em conversa de esquecer

A tristeza de um amor
 que passou
Não, eu só vou se for pra ver

Uma estrela aparecer

Na manhã de um novo amor


Escute aqui a versão original.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

"Samba canção", de Ana Cristina Cesar

Samba canção

Tantos poemas que perdi. 
Tantos que ouvi, de graça, 
pelo telefone – taí,
eu fiz tudo pra você gostar, 
fui mulher vulgar, 
meia-bruxa, meia-fera, 
risinho modernista
arranhando na garganta,
malandra, bicha,
bem viada, vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras
(era comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz...



Confira o vídeo de Ana C. recitando este poema aqui.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

"Imitação da água", de João Cabral de Melo Neto

Imitação da água

De flanco sobre o lençol,
paisagem já tão marinha,
a uma onda deitada,
na praia, te parecias.

Uma onda que parava
ou melhor: que se continha;
que contivesse um momento
seu rumor de folhas líquidas.

Uma onda que parava
naquela hora precisa
em que a pálpebra da onda
cai sobre a própria pupila.

Uma onda que parara
ao dobrar-se, interrompida,
que imóvel se interrompesse
no alto de sua crista

e se fizesse montanha
(por horizontal e fixa),
mas que ao se fazer montanha
continuasse água ainda.

Uma onda que guardasse
na praia cama, finita,
a natureza sem fim
do mar de que participa,

e em sua imobilidade,
que precária se adivinha,
o dom de se derramar
que as águas faz femininas

mais o clima de águas fundas,
a intimidade sombria
e certo abraçar completo
que dos líquidos copias.