"Ninguém aprende sozinho. Tampouco ninguém ensina ninguém. Os homens aprendem em comunhão, mediatizados pelo mundo". Paulo Freire
quarta-feira, 23 de abril de 2014
quarta-feira, 26 de março de 2014
As cantigas trovadorescas
Pessoal,
aqui vocês encontrarão alguns trechos do livro de Maria Luiza Abaurre associados às letras de algumas cantigas em galego-português representativas do Trovadorismo.
Vale a pena conferir os links de cada cantiga: além de um vídeo repleto de imagens bacanas, vocês poderão escutá-las! Aproveitem!!!
Que tal relembrarmos como são divididas as cantigas líricas? São divididas em:
1. Cantigas de amor
"Exprimem uma paixão infeliz, o amor não correspondido que um trovador dedica a sua senhora. A estrutura da cantiga de amor apresenta alguns elementos característicos. O eu lírico é sempre masculino e representa um trovador que dirige os elogios a uma dama. O trovador, que sofre com frequência, se autodenomina coitado, cativo, aflito, enlouquecido, sofredor. A dama é identificada por termos que destacam suas qualidades físicas (fremosa, delgada, de bem parecer), morais (bondade, lealdade, comprida de bem), sociais (bom ser, falar mui ben). Ao comparar sua dama às outras da mesma corte, o eu lírico a apresenta como superior. As comparações também são utilizadas para acentuar as características do trovador: sua dor é a maior do que a de todos os outros e seus talentos superam os de seus rivais.
As cantigas de amor trazem poucas referências ao cenário, mas, quando elas ocorrem, costumam falar do ambiente da corte ou de uma natureza idealizada. Outra característica de sua estrutura é a presença de um número reduzido de personagens, além do trovador e da sua senhora: geralmente são feitas referências a algum rival ou a Deus." (Fonte: ABAURRE, Maria Luiza e PONTARA, Marcela. Literatura
Brasileira.Tempos, Leitores e Leituras. Ensino Médio. São Paulo: Editora
Moderna, 2005, p. 90-1)
Observe algumas dessas características na cantiga de Dom Dinis:
que os diría,
señora,
porque veo
que por vos muero,
porque sabéis
que nunca os hablé
de cómo me
mataba vuestro amor:
porque sabéis
bien que de otra señora
yo no sentía
ni siento temor.
Todo esto me
hizo sentir
el temor que
de vos tengo,
y desde ahí
por vos dar a entender
que por otra
moriría, de ella tengo,
sabéis bien,
algo de temor;
y desde hoy,
hermosa señora mía,
si me matáis,
bien me lo habré buscado.
Y creed que
tendré gusto
de que me
matéis, pues yo sé con certeza
que en el
poco tiempo que he de vivir,
ningún placer
obtendré;
y porque
estoy seguro de esto,
si me
quisierais dar muerte, señora,
por gran
misericordia os lo tendré.
2. Cantigas de amigo
"De modo geral, as cantigas de amigo falam de uma relação amorosa concreta que acontece entre pessoas simples, que vivem no campo. O tema central dessas cantigas é a saudade. As personagens, o ambiente e a linguagem presentes nas cantigas líricas fazem com que elas representem diferentes universos da sociedade medieval.
Se, nas cantigas de amor, todas as referências dizem respeito aos membros da corte, à vida nos palácios, às damas sofisticadas e ricas, nas cantigas de amigo, elas dizem respeito aos sentimentos e à vida campesina, às moças simples que vivem nas aldeias e nos campos.
O eu lírico das cantigas de amigo é sempre feminino e representa a voz de uma mulher (amiga) que manifesta a saudade pela ausência do amigo (namorado ou amante). Como o trovador que compõe essas cantigas é um homem, a adoção de um eu lírico feminino acaba por apresentar, para os membros da corte, aquilo que os compositores consideravam a visão feminina da saudade e do amor.
O cenário é sempre caracterizado em um ambiente campesino. Várias personagens participam do 'universo amoroso' criado na cantiga de amigo, além da donzela e de seu amante: mãe, amigas, damas de companhia. Essas personagens são testemunhas do amor que a amiga dedica ao seu namorado.
Alguns termos são utilizados para caracterizar a mulher que fala nessas cantigas. Ela se identifica como louçã (clara, branca), velida (bonita), fremosa, delgada, de bem parecer. O tom das cantigas de amigo é mais positivo e otimista que o das cantigas de amor, porque, embora falem da saudade, tratam de um amor que é real e que ocorre entre pessoas de condição social semelhante. Por esse motivo, a amiga se define frequentemente como alegre (leda)." (ABAURRE, op. cit. p. 92)
Veja agora a cantiga de Nunes de Santiago:
Bailemos ya
nosotras tres, ay amigas,
bajo estos
avellanos floridos.
Y quien fuera
garrida como nosotras somos garridas,
Si sabe
amar,
bajo estos
avellanos floridos
vendrá a
bailar.
Bailemos ya
nosotras tres juntas, ay hermanas,
bajo estas
ramas avellanos
Y quien fuera
galana como nosotras somos galanas,
si sabe
amar,
bajo estas ramas de estos avellanos
vendrá a
bailar.
Por Dios,
amigas, mentiras no decimos
bajo estas
ramas floridas bailamos,
y quien buen
humor tenga como nosotras tenemos,
si sabe
amar,
bajo estas
ramas,
donde
nosotras bailamos,
vendrá a
bailar.
Cantigas líricas
"Já as cantigas de caráter satírico apresentavam críticas ao comportamento social de seus pares, difamavam alguns nobres ou denunciavam as damas que deixavam de cumprir seu papel no jogo do amor cortês. Elas podem ser de escárnio ou de maldizer.
1. Cantigas de escárnio
Nas cantigas de escárnio, o trovador critica alguém por meio de palavras de duplo sentido, para que não sejam facilmente compreendidas. O efeito satírico que caracteriza essas cantigas é obtido por meio de ironias, trocadilhos e jogos semânticos. De modo geral, ridicularizam o comportamento de nobres ou denunciam as mulheres que não seguem o código de amor cortês.
El que de la
guerra se llevó caballeros
y se fue a su
tierra a guardar los dineros,
no viene al
mayo.
El que de la
guerra se fue con maldad
y se fue a su
tierra a comprar fincas...
El que de la
guerra se fue con hostilidad,
pero no vino
cuando debía hacerlo por pleitesía...
El que de la
guerra se fue espantado
y se fue a su
tierra a ponerse el manton...
El que de la
guerra se fue
con gran
miedo a su tierra, sembrando vallas...
El que por la
guerra fue muy criticado,
aunque hizo
pintar un escudo en Burgos...
El que traía
el paño de lino,
pero no vino
para San Martín...
El que traía
el pendón enarbolado
y no ha
heredado el humor de su padre...
El que traía
pendón sin tener ni ocho caballeros
y a su gente
no le daba pan cocido...
El que sin
tener ni siete caballeros traía pendón
y cinta ancha
y gran escudo...
El que traía
pendón pero no tienda,
por lo que
ahora sé de su hazienda...
El que traía
pendón de seda gruesa,
aunque no
vino en el mes de marzo...
El que se
ausentó de la cita del día de San Martín
y se fue a su
tierra a beber los vinos...
El que huyó
de la frontera con miedo,
aunque traía
pendón pero no caldera...
El que robó a
los moros malditos
y se fue a su
tierra a robar cabritos,
no viene al
mayo.
2. Cantigas de maldizer
Nas cantigas de maldizer, o trovador faz suas críticas de modo direto, explícito, identificando a pessoa satirizada. Essas cantigas costumam apresentar linguagem ofensiva e de baixo calão. Muitas vezes, tratam das indiscrições amorosas de nobres e membros do clero." (ABAURRE, op. cit. p. 94)
Cantigas satíricas
Marcadores:
Literatura,
Literatura Portuguesa,
Música,
Vídeo
Trovadorismo
Maria Luiza M. Abaurre
O poder da Igreja
Ao longo da Idade Média a
Igreja Católica cresceu, acumulou vastas extensões de terra, enriqueceu e
concentrou um grande poder.
O clero estimulava as pessoas a buscar redenção na total submissão à Igreja, que representava no mundo, a vontade de Deus. Essa postura servil perante Deus e a Igreja é denominada teocêntrica (Deus, perfeito e superior, no centro de todas as coisas).
Uma importante manifestação de poder da Igreja medieval era seu controle quase absoluto da produção cultural. Nessa época apenas 2% da população europeia era alfabetizada. A escrita e a leitura estavam praticamente restritas aos mosteiros.
Os religiosos reproduziam ou traduziam textos sagrados do cristianismo e obras de grandes filósofos da Antiguidade, desde que não representassem uma ameaça ao poder da Igreja.
Como a circulação de textos dependia da reprodução manuscrita, quase feita sob encomenda, a divulgação da cultura tornava-se ainda mais difícil, porque o número de cópias em circulação era bem pequeno.
O uso do latim como língua literária também contribuía para dificultar o acesso aos textos. Poemas e canções eram compostos em latim por monges eruditos que vagavam de feudo em feudo e, desse modo, divulgavam suas composições que, na maior parte, abordavam temas religiosos.
A sociedade
medieval
A sociedade se organizava em
torno de grandes proprietários de terra, conhecidos como senhores feudais. Cada senhor feudal tinha uma
pequena corte, formada por nobres empobrecidos, cavaleiros, camponeses livres e
servos. Tais indivíduos estavam
unidos ao senhor feudal por uma relação de dependência pessoal: a vassalagem.
Os moradores do feudo
juravam defender as terras do seu senhor e, como seus vassalos, recebiam o
direito de viver na propriedade, cultivar parte das terras, além de receberem
proteção.
A posição de destaque nessas
cortes era ocupada pelos cavaleiros que, em tempos de ataques e invasões
bárbaras, formavam o exército do senhor feudal.
As relações entre nobres,
cavaleiros e senhores feudais eram regidas por um código de cavalaria baseado
na lealdade, na honra, na bravura e na cortesia.
Trovadorismo: poesia e cortesia
Sem o perigo de novas
invasões, a Europa passou por um período de progresso econômico e intercâmbio
cultural. Os cavaleiros viam-se de uma
hora para outra sem função social. Era preciso criar para eles um novo papel. A
solução veio com a idealização de um código de comportamento que ficou
conhecido como amor cortês.
Esse código transferia a
relação de vassalagem entre cavaleiros e senhores feudais para o louvor às
damas da sociedade.
Os praticantes do amor
cortês teriam a chance de demonstrar, diante da corte, que o valor pessoal não se fundamentava apenas no sangue e
nas proezas militares, mas podia ser identificado como comportamento social: a
cortesia.
Assim, nas cortes dos
senhores feudais, centros de atividade artística da Europa medieval, se exibiam
os jograis: recitadores, cantores, músicos ambulantes que eram contratados pelo senhor para divertir a
corte. As cantigas apresentadas pelos jograis, eram compostas por nobres que se
denominavam trovadores, porque praticavam a arte de trovar.
Enquanto nos mosteiros
circulavam os textos escritos em latim, nos castelos e nas cortes circulava a
literatura oral, produzida em língua local, voltada para o deleite dos homens e
das mulheres da nobreza e para legitimar o novo papel social assumindo pelos cavaleiros. As regras de conduta
social expressas no código de cavalaria passaram a definir o fazer literário
medieval.
Projeto literário do Trovadorismo
• Literatura oral para entreter os homens e as
mulheres da nobreza.
• Redefinição do papel dos cavaleiros nas cortes.
• Criação de estruturas literárias equivalentes às da
relação de vassalagem.
• Sociedade: subserviência total a Deus
(teocentrismo) e obediência ao senhor feudal, representadas literariamente pela
submissão do trovador à dama (poesia – cantigas).
As regras de conduta amorosa
Como testemunhas do
comportamento do trovador e da dama a quem ele dirigia seus galanteios, os
membros da corte julgavam o comportamento social de ambos. Era função da dama
reconhecer e recompensar o trovador que cumprisse todas as regras do amor
cortês. Se não fizesse isso, o trovador tinha o direito de denunciá-la
publicamente por meio de cantigas satíricas.
Segundo o código de amor
cortês, um trovador deveria expressar seus elogios e súplicas a uma mulher da
nobreza, casada, que tivesse uma posição social reconhecida. Essa posição
social era necessária para que fosse criada, nos textos literários, uma
estrutura lírica equivalente à relação de vassalagem. Por esse motivo, os
termos que definiam as relações feudais foram transpostos para as cantigas: a mulher
era a senhora, o homem era seu servidor; prezava-se a generosidade, a lealdade
e, acima de tudo, a cortesia. A avareza e a vilania eram comportamentos
desprezados.
O trovador não devia
revelar, em sua cantiga, o nome da dama a quem dirigia os elogios, mas
precisava apresentá-la de modo a permitir que os membros da corte a
identificassem. Uma série de expressões era utilizada para nomear uma dama
(senhor, mia senhor, senhor fremosa etc).
O amor era visto como uma
forma de sublimação dos desejos que transformava o trovador em homem cortês. A
dama era vista sob uma perspectiva idealizada, de perfeição absoluta.
(Fonte: ABAURRE, Maria Luiza e PONTARA, Marcela. Literatura
Brasileira.Tempos, Leitores e Leituras. Ensino Médio. São Paulo: Editora
Moderna, 2005 )
Marcadores:
Literatura,
Literatura Portuguesa
sexta-feira, 14 de março de 2014
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Para assistir
Olá, pessoal!
Que tal três dicas bem legais de filmes para o final de semana?
O nome da rosa, de Jean-Jaques Arnaud, Alemanha, 1986. Baseado no romance homônimo de Umberto Eco, o filme trata das misteriosas mortes ocorridas em um mosteiro medieval. Para quem gosta de suspense, esse é o filme! É muito interessante também porque o filme ilustra o contexto de produção e circulação de cultura na Idade Média, pois retrata o universo dos monges copistas. Assista aqui.
Excalibur, de John Boorman, EUA, 1981. Aqui vocês vão encontrar as fantásticas narrativas das aventuras do Rei Arthur e dos cavaleiros da Távola Redonda. Neste filme, vocês vão acompanhar a sagração de Arthur, a formação de Camelot, a busca pelo Graal, a disputa pelo poder entre Morgana e Merlin, enfim, conhecerão todo universo das novelas de cavalaria.
As brumas de Avalon, de Uli Edel, EUA, 2001. Adaptação do best-seller homônimo de Marion Zimmer Bradley, o filme retrata o nascimento de Arthur, rei que comandaria a Bretanha e salvaria Avalon, ilha mística comandada por Viviane, uma sacerdotisa pagã. Vemos nesse filme a lenda do Rei Arthur ser contada sob uma nova visão. É muito interessante! Assista aqui.
Então, o que me dizem?
Marcadores:
CECO,
Cinema,
Literatura,
Sala de aula,
Video
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Carmina Burana
Olá, queridos!
Na aula de amanhã falaremos de Idade Média e do nascimento da Literatura Portuguesa.
Para entrar no clima, que tal escutarmos a composição "O Fortuna" de Carmina Burana?
(Tradução)
Na aula de amanhã falaremos de Idade Média e do nascimento da Literatura Portuguesa.
Para entrar no clima, que tal escutarmos a composição "O Fortuna" de Carmina Burana?
“Carmina Burana; latim para ‘Canções
de Beuern’ (abreviação de Benediktbeuern) é o nome dado a poemas e textos dramáticos
manuscritos de 254. As peças são em sua maioria picantes, irreverentes e satíricas
e foram escritas principlamente em latim medieval (...). Vinte e quatro poemas
de Carmina Burana foram musicalizados por Carl Orff em 1936.”
(Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carmina_Burana)
“O
Fortuna”
(Carl Off)
O fortuna
Velut luna
Statu
variabilis,
Semper
crescis
Aut
decrescis;
Vita
detestabilis
Nunc
obdurate
Et tunc
curat
Ludo
mentis aciem,
Egestatem,
Potestatem
Dissolvit
ut glaciem.
Sors immanis
Et
inanis,
Rota tu
volubilis,
Status
malus,
Vana salus
Semper
dissolubilis,
Obumbrata
Et velata
Michi
quoque niteris;
Nunc per
ludum
Dorsum
nudum
Fero tui
sceleris.
Sors
salutis
Et
virtutis
Michi nunc
contraria,
Est
affectus
Et
defectus
Semper in
angaria.
Hac in
hora
Sine mora
Corde
pulsum tangite;
Quod per
sortem
Sternit
fortem,
Mecum
omnes plangite!
![]() |
| Roda da fortuna representada no códice de Carmina Burana |
Códice (ou codex, palavra em latim que significa "livro", "bloco de madeira") era um manuscrito gravado, em geral, em madeira.
Ó fortuna
És como a
Lua
Mutável,
Sempre
aumentas
Ou
diminuis;
A
detestável vida
Ora oprime
E ora cura
Para
brincar com a mente;
Miséria,
Poder,
Ela os
funde como gelo.
Sorte
imensa
E vazia,
Tu, roda
volúvel
És má,
Vã é a
felicidade
Sempre
dissolúvel,
Nebulosa
E velada
Também a
mim contagias;
Agora por
brincadeira
O dorso nu
Entrego à
tua perversidade.
A sorte na
saúde
E virtude
Agora me é
contrária.
Dá
E tira
Mantendo
sempre escravizado
Nesta hora
Sem demora
Tange a
corda vibrante;
Porque a
sorte
Abate o
forte,
Chorai
todos comigo!
(Fonte: http://letras.mus.br/orff-carl/74710/traducao.html)
Então, o que me dizem?
Marcadores:
CECO,
Literatura,
Literatura Portuguesa,
Música,
Vídeo
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Sobre variação linguística e outros temas
Queridos,
para complementar nossa aula sobre variação linguística, sugiro que vocês assistam ao filme "Língua - vidas em português" (2004), direção de Vitcor Lopes.
Para aqueles mais dispostos, que tal a continuação da leitura (iniciada em sala de aula) do interessantíssimo A língua de Eulália: novela sociolinguística, de Marcos Bagno (2008)?
para complementar nossa aula sobre variação linguística, sugiro que vocês assistam ao filme "Língua - vidas em português" (2004), direção de Vitcor Lopes.
Trata-se de um documentário
de 105 minutos coproduzido por Brasil e Portugal e filmado em seis países
(Brasil, Moçambique, Índia, Portugal, França e Japão).
Para aqueles mais dispostos, que tal a continuação da leitura (iniciada em sala de aula) do interessantíssimo A língua de Eulália: novela sociolinguística, de Marcos Bagno (2008)?
Marcadores:
Língua Portuguesa,
Linguística,
Vídeo
Assinar:
Postagens (Atom)














