"Ninguém aprende sozinho. Tampouco ninguém ensina ninguém. Os homens aprendem em comunhão, mediatizados pelo mundo". Paulo Freire
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Clarice Lispector
Queridos,
recebi essas imagens hoje de um amigo e gostaria de compartilhá-las com vocês. São lindas, né?





Então, o que me dizem?
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Revista Eletônica do Vestibular (UERJ)
Queridos,
achei muito bacana essa publicação eletrônica da UERJ, por isso recomendo a leitura para vocês.
O endereço da revista, http://www.revista.vestibular.uerj.br/ , a partir de hoje, vai constar nos links sugeridos pelo Blog.
Para aqueles que estão prestando vestibular, um passeio pela revista é extremamente valioso. Para o pessoal de Letras, o colunista da revista é o professor, escritor e ensaísta Gustavo Bernardo, ou seja, uma boa leitura garantida.
A seguir, coloco um trecho da proposta editorial da revista para vocês:
"A Revista Eletrônica do Vestibular da Uerj é uma publicação online, de periodicidade quadrimestral, criada com o objetivo de estabelecer um canal permanente entre a universidade e o público do ensino médio em geral. Por meio da interatividade presente em todas as suas seções, alunos e professores poderão aprofundar o contato com a comunidade acadêmica. Seu conteúdo está estruturado por seções como colunas, entrevistas, carreiras e textos comentados. Além disso, as questões de prova do Vestibular Estadual são apresentadas com comentários das respectivas bancas elaboradoras."
Então, o que me dizem?
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Movimento Tropicalista
Por Luciana Messeder
Antecedentes
No ano de 1964 foi instalado no Brasil o regime militar e, com ele, um clima de insegurança e indefinições se instaurou no meio cultural e artístico, uma vez que as demonstrações de poder do novo regime, desde o início, configuraram-se de modo violento e arbitrário.
Para entendermos a dimensão dessas primeiras intervenções políticas, precisamos ter em mente que os debates que mobilizavam a sociedade brasileira pouco antes do golpe de 64 giravam em torno de questões extremamente polêmicas como reforma agrária, alfabetização em massa (e a conseqüente legitimação eleitoral de quase metade da população brasileira), modernização do país e novos rumos de sua política externa.
Tais discussões fervilhavam nos jornais da época e causavam “arrepios” nas classes mais conservadoras da sociedade. O medo do advento do comunismo, da aprovação da lei do divórcio, da instauração da reforma agrária etc., fazia com que essa parcela da população se mostrasse bastante incomodada e preocupada com o futuro do país. Aproveitando tal circunstância, as forças direitistas se mobilizaram e, numa estratégia defensiva, conseguiram, apelando para os valores tradicionais arraigados na classe média, a organização de passeatas, como as “marchas da família com Deus pela Liberdade”, que clamavam pela manutenção da ordem, pela integridade do país, bem como pela preservação de suas instituições e de suas tradições cristãs.
Assim, uma das primeiras medidas do governo Castelo Branco foi a de atender o clamor da pequena burguesia e demonstrar que o perigo comunista e anticlerical seria combatido de maneira eficaz. Os militares alegaram que ideologia esquerdizante havia crescido muito e que era preciso agir estratégica e vigorosamente para silenciar essa massa popular que ousava se organizar. Dessa forma, iniciaram-se as perseguições aos sindicalistas, operários, camponeses e militares insurgentes: era necessário e urgente massacrar toda e qualquer ameaça à “ordem” e ao “progresso” do país.
Se a primeira ação do novo governo foi o corte entre os movimentos populares, espantosamente desenvolvidos nos anos que antecederam o golpe, e os movimentos de esquerda que mantinham contato direto com esses grupos, torna-se interessante observar que, mesmo com a adoção de medidas repressivas e violentas já nos seus primeiros anos, o regime militar, para a surpresa de todos, poupou boa parte da intelectualidade de esquerda de classe média, formada por profissionais liberais (professores universitários, críticos, jornalistas, artistas etc.), permitindo, com algumas restrições, a circulação de suas idéias e de suas produções artísticas (que durante o período compreendido entre 1964-1968, irão experimentar um crescimento excepcional).
Será, portanto, nesse contexto de relativa liberdade artística que surgirão, no ano de 1967, as primeiras manifestações daquilo que se tornará conhecido por movimento tropicalista.
Em outubro de 1967, no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, durante as apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil, figuras ainda pouco conhecidas do público e do meio artístico nacional, nascia o movimento tropicalista.
As canções “Alegria, alegria” e “Domingo no parque”, apresentadas naquela ocasião, traziam consigo uma série de procedimentos nunca vistos antes na música popular brasileira, tornando-as, assim, matéria de estranhamento para o público e para a crítica especializada.
Público e crítica possuíam em comum um horizonte de expectativas bem delimitado, pois no cenário musical da época, vigoravam duas grandes correntes musicais que além de rivalizarem no plano musical propriamente dito, davam forma também à polarização ideológica manifesta na sociedade brasileira: Direita X Esquerda.
Tudo o que não estivesse comprometido com uma política participante, engajada, era considerado de “Direita”. Assim, a corrente musical que ficou conhecida como Ie-Ie-iê era considerada deveras lírica e alienada. Nela estavam englobados artistas como Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia, que faziam parte da chamada Jovem Guarda. As composições da “turma do Ie-ie-iê” eram influenciadas pelo rock-and-roll norte-americano e inglês e possuíam letras leves, divertidas, que retratavam o universo juvenil de forma swingada, agradável e dançante. A segunda corrente, representante da “Esquerda”, era engajada politicamente e suas canções eram marcadas por letras de protesto e de denúncia das misérias da realidade brasileira. Muitos artistas da época, tais como Geraldo Vandré, Elis Regina, Jair Rodrigues, Chico Buarque, Edu Lobo, dentre outros, vincularam-se à sua proposta engajada.
Dessa maneira, quando as canções de Caetano e Gil apareceram no Festival, essas duas correntes (e seus respectivos públicos na platéia) não entenderam nada. Perguntavam-se: o que era aquilo? Que pessoas estranhas e que músicas eram aquelas?!
Quando Caetano Veloso surgiu no palco vestido com um terno xadrez marrom e uma camisa de gola rulê (os artistas naquela época tinham o costume de se apresentar de smoking), acompanhado por um grupo de jovens cabeludos, vestidos de cor-de-rosa, carregando guitarras elétricas, a platéia iniciou uma vaia furiosa.
(Dica: Que tal uma pesquisa no youtube para assistir aos vídeos das apresentações de "Alegria, alegria" e de "Domingo no parque"? Vale a pena!)
Caetano e os Beat Boys ignoraram a recepção e rapidamente iniciaram a execução da música, que tinha como introdução uma série de acordes de guitarra elétrica. O público, confuso, fez silêncio.
“Alegria, alegria” era uma música que falava de leveza: um jovem caminhando à toa, “sem lenço e sem documento”, “num sol de quase dezembro”, sem grandes preocupações e com alguns desejos. (De acordo com Caetano Veloso, a música foi pensada desde o início como uma “anti-Banda”, numa referência à música ganhadora do Festival de 1966, composta por Chico Buarque. O compositor baiano decidiu contrapor à cidadezinha do interior de contornos oitocentistas aludida pela música de Chico Buarque, um aspecto cosmopolita com marcas do século XX).

Álbum Caetano Veloso (1968), que contém a primeira gravação de "Alegria, alegria"
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O cenário é urbano, o jovem caminha pela cidade, passa por “bancas de revista” e a cena corriqueira é reforçada por palavras que enfatizam o sentido de atualidade dos fatos políticos e sociais (“crimes”, “espaçonaves”, “guerrilhas”, “caras de presidentes”, “bandeiras”, “bombas”) e da sociedade de consumo e entretenimento (“Cardinales”, “grandes beijos de amor”, “Brigitte Bardot”, “bancas de revista”, “coca-cola”, “canção”, “televisão”). Tais palavras, enumeradas quase que de forma caótica, apresentam um mundo fragmentado, no qual a política e o aspecto social não ganham mais relevância que os indicadores da sociedade de consumo. No final da canção, percebemos que esses dois pólos continuam em pé de igualdade, pois possuem a mesma força e, assim, se neutralizam.
O jovem segue sua caminhada indiferente à tensão política X entretenimento, resoluto (“eu vou”), desejando talvez “cantar na televisão” e “seguir vivendo”. A canção termina com a pergunta “Por que não?” repetida duas vezes, que para o crítico Augusto de Campos significa um desabafo-desafio: Por que não inovar, misturar estilos e experimentar na música popular brasileira?
Álbum Gilberto Gil (1968), que contém a primeira gravação de "Domingo no parque".
Álbum Tropicália ou Panis et circensis (1968), dos Mutantes: criação coletiva.
Se analisarmos algumas músicas seminais do movimento, tais como “Domingo no parque”, “Panis et circencis”, dentre outras, tendo em mente o contexto sócio-histórico-musical da época, perceberemos que o movimento tropicalista representou muito mais do que a criação de músicas e arranjos inovadores para o seu tempo.
Os tropicalistas extrapolaram o plano musical ao colocar em suas letras de música reflexões atualíssimas sobre Brasil, identidade nacional, valores tradicionais, juventude, dentre outros temas por eles abordados, tornando possível o diálogo entre os diferentes setores da sociedade. Suas músicas mostram o impasse entre as polarizações da época (direita X esquerda) e, por conseguinte, o empobrecimento da discussão que se efetuava no país na segunda metade da década de 1960.
Como uma brisa revigorante, o movimento tropicalista vai arejar o cenário intelectual brasileiro, superando tal impasse pelo viés da música comercial, da cultura pop, do humor e do experimentalismo.
As músicas tropicalistas, no fundo, tratam de um mesmo tema: a questão da liberdade. Uma liberdade plena que na proposta tropicalista deve ser conquistada em todos os níveis: estético, político, econômico, comportamental e sexual.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Uma Lição de Modesto Carone
Não sei se vocês sabem, mas um dos meus livros preferidos é O Castelo, de Franz Kafka. Meu exemplar possui a tradução de Modesto Carone, considerado não só o maior tradutor de Kafka no Brasil, como também um dos seus mais importantes comentadores. Ao ler a Folha de São Paulo no último dia 19, encontrei uma belíssima surpresa que dividirei a seguir com vocês: um trecho do novo livro desse admirável escritor/tradutor, Lição de Kafka, que será publicado no final desse mês pela Companhia das Letras. Anotações breves sobre um conto curto ENSAIO INÉDITO ANALISA FÁBULA EM QUE KAFKA CONSTRÓI O MONÓLOGO DE UM RATO DIANTE DE UMA ESCOLHA "RACIONAL"
Entre os contos de Kafka, consta pelo menos um que é pouco conhecido. Referimo-nos a "Pequena Fábula":
"Ah", disse o rato, "o mundo torna-se a cada dia mais estreito. A princípio era tão vasto que me dava medo, eu continuava correndo e me sentia feliz com o fato de que finalmente via à distância, à direita e à esquerda, as paredes, mas essas longas paredes convergem tão depressa uma para a outra que já estou no último quarto e lá no canto fica a ratoeira para a qual eu corro". -"Você só precisa mudar de direção", disse o gato, e devorou-o.
Trata-se de uma fábula porque nesse relato intervêm animais falantes. Mas não existe aqui -como é o caso da tradição das fábulas- uma moral explícita da história no final. A ausência dessa moral da história levou muitos intérpretes a não aceitarem que o caso é de fábula, embora o título seja esse, e sim de uma parábola, que apresenta a história como se ela estivesse ao lado de outra, com a qual estabelece relações de analogia.
Basicamente o texto é um monólogo do rato. O monólogo -sempre expressão do isolamento- começa com uma interjeição (Ah!). Essa interjeição no entanto é logo absorvida no relato de algo experimentado antes (o mundo era vasto, mais amplo que agora). A repetição da primeira pessoa (eu) e as expressões "medo" e "feliz", que exprimem afetos e se contradizem mutuamente, provocam o leitor a algum tipo de participação. As experiências do rato são apresentadas como sendo ativas só uma vez: "Eu via".
As demais são vividas passivamente: o mundo torna-se mais estreito, as paredes convergem uma para a outra, lá no canto fica a ratoeira. Tudo se passa como se o rato se visse num processo que corre com autonomia, naturalmente, sem intervenção do personagem narrador. O resto deve, assim, submeter-se à noção de que a sua situação é sem saída. O rato sempre foi movido -impulsionado- pelo medo; é isso que o faz correr para a frente, para o que é amplo e vasto, e perder-se no que é necessariamente estreito.
O fecho lacônico da peça tem uma precisão lógica que não é necessariamente cínica, e aparece sob a forma de um conselho desinteressado. O verbo "devorou" ("frass", do verbo "comer" destinado aos animais) assinala um acontecimento esperado num lugar inesperado e assume sua força no momento em que alcança uma nova dimensão que parecia faltar ao texto.
O que Kafka diz nessa micronarrativa? Diz, entre outras coisas, que a última saída da razão leva à ruína.
Ou seja: que todos os esforços para superar o medo e a derrocada significam apenas gradações da falta de liberdade objetiva do mundo. Para o rato não existe escolha, ou melhor: essa escolha só pode se dar entre as alternativas de submeter-se à violência da ratoeira ou à violência do gato. Nas "Conversações com Kafka", de Gustav Janouch, o poeta de Praga afirma, a certa altura, o seguinte: "Existe muita esperança, mas não para nós".
Era esse o teor, a base, da sua dialética negativa – e não há como discordar da coerência do humor negro contido nesta fábula.
(Texto extraído do jornal Folha de São Paulo, de 19 de julho de 2009.)
Então, o que me dizem?
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Imagens das Férias
Queridos,
passei alguns dias em Vassouras, interior do estado do Rio de Janeiro, e pude conferir o Festival Vale do Café 2009, que recomendo a todos. Foi ótimo!
Para quem não conhece, Vassouras é uma cidade importantíssima para a história do café no Brasil. Conhecida como a “cidade dos barões”, ela teve seu apogeu na segunda metade do século XIX.
O evento Cortejo de Tradições aconteceu no último sábado dia 25 de julho, na praça Barão de Campo Belo, no centro histórico da cidade.
Na praça Barão de Campo Belo, com a Matriz Nossa Senhora da Conceição ao fundo
A seguir coloco algumas imagens registradas por mim da lindíssima apresentação de jongo (patrimônio cultural imaterial registrado pelo IPHAN) realizada pela comunidade quilombola da Fazenda São José, de Valença.
"O jongo é uma forma de expressão afro-brasileira que integra percussão de tambores, dança coletiva e práticas de magia."
"O jongo é uma forma de louvação aos antepassados, consolidação de tradições e afirmação de identidades."
"Tem suas raízes nos saberes, ritos e crenças dos povos africanos, principalmente os de língua bantu."
"São sugestivos dessas origens o profundo respeito aos ancestrais, a valorização dos enigmas cantados e o elemento coreográfico da umbigada."
"No Brasil o jongo consolidou-se entre os escravos que trabalhavam nas lavouras de café e cana-de-açúcar, no sudeste brasileiro, principalmente no vale do Rio Paraíba. Nos tempos da escravidão, a poesia metafórica do jongo permitiu que os praticantes da dança se comunicassem por meio dos pontos que os capatazes e senhores não conseguiam compreender. Sempre esteve assim, numa posição marginal onde os negros falam de si, de sua comunidade, através da crônica e da linguagem cifrada.” (Texto extraído do Portal do IPHAN)
Para saber mais sobre o jongo, acesse: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?retorno=detalheInstitucional&sigla=Institucional&id=13183
Então, o que me dizem?
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quinta-feira, 16 de julho de 2009
Boas Férias!!!
Queridos,
aproveitem bastante as férias!
Descansem, relaxem, leiam coisas legais, enfim, recarreguem as energias.
A propósito, eu já sei como vou recarregar as minhas, olha só:
Nada como um banho de cachoeira, né?
Beijos,
Luciana
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