quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Barroco (Revisão)

"Moça com brinco de pérolas" (1665) VERMEER, Johannes
Mauritshuis, The Hague
"Vaidade" (s.d.) PIOLA, Domenico
Private collection, Genoa
"São Francisco" (1606) CARAVAGGIO
Galleria Nazionale d'Arte Antica, Rome
"Milagre de São Frascisco de Paula" (1750) CAPPELLA, Francesco
Museo Diocesano, Cortona
Em meados do século XVI a Europa passa por uma crise espiritual, moral e cultural: as conquistas do Renascimento tinham ido longe demais... Tal colapso da Renascença se deveu a abalos sofridos pela Ciência, Religião e Ética então vigentes: Copérnico (heliocentrismo); Lutero (Reforma Protestante – 1517) e Maquiavel (duplo padrão de moralidade), cada um em sua esfera, desconcertavam a ordem teocêntrica do universo.
Tal sensação desconcertante – de um lado o respeito aos dogmas, o apelo da espiritualidade e da fé, de outro, a vontade de conhecer, de experimentar, o humano e o terreno – atravessará todo esse período, marcando definitivamente o homem barroco por uma consciência dilemática e contraditória.
Diante desse surto de novas idéias, de novas condutas morais e de divisão da própria cristandade, a ordem reinante, abalada, buscou definir com bastante rigor a fronteira entre as leis da Igreja e a heresia, entre a Fé e a Ciência. O saber da fé não dava fé ao saber científico. Assim, a reação da Igreja católica veio com a Contra-Reforma (Concílio de Trento, 1545-1563), com a criação da Companhia de Jesus (1540) e com o endurecimento da Inquisição.
É importante ressaltar que, se há no período um sentido extremamente desenvolvido, este é a visão. Não parece obra do acaso o desenvolvimento e a exploração, neste período, do microscópio (1590) e do telescópio (1608). Também não é à toa que uma das diretrizes do Concílio de Trento, de onde surgiram os preceitos da Contra-Reforma, fosse exatamente a captura do fiel por meio da arte pictórica, da imagem, dos grandes monumentos, das suntuosas igrejas, da riqueza dos ornamentos, enfim, de uma verdadeira festa para o olhar. Em busca de uma Igreja moderna, renovada, capaz, portanto, de recuperar o prestígio abalado, as novas diretrizes estabelecidas para a arte tinham como função a conquista da alma por meio da exuberância da fé. A nova arte deveria ofuscar os sentidos, maravilhar, extasiar.
A Igreja Católica passava, então, a atribuir à pintura uma função catequética tão evolvente, tão eficaz, que as técnicas pictóricas acabaram se transferindo para a literatura: criaram-se verdadeiros “quadros verbais”, “pinturas vivas” do que se pretendia contar.
Será portanto muito comum na literatura barroca o desejo de explorar a sensibilidade óptica de seus leitores, quer mediante a utilização de metáforas eminentemente visuais, quer através de técnicas persuasivas que encontrassem nos olhos o caminho da mente e da vontade (“Entregar à mente colocando ante os olhos”, “a nossa alma rende-se muito mais pelos olhos que pelos ouvidos”).
A importância da prosa doutrinal religiosa nesse período, o reinado dos sermões, advém também das diretrizes do Concílio de Trento: além da pintura com fins doutrinais, prescrevia-se da mesma maneira a formação de pregadores capazes de mover e comover pedras.
As características barrocas podem ser sintetizadas em:
  • Dualidade/Contradição: Fé X Ciência; Alma X Corpo; Salvação X Pecado;
  • Exuberância das artes; apelo visual;
  • Movimento; curvas, sinuosidades;
  • Linguagem figurativa: alegorias; metáforas, sinestesias, antíteses e paradoxos;
  • Conflito do homem barroco: Antropomorfismo X Teocentrismo;
  • Cultismo: jogo de palavras;
  • Conceptismo: jogo de idéias.

Um comentário:

Chali disse...

Prof. Roubei pra dar uma estuda em barroco!

Dpois vou ler as postagens novas!

bjocas.
=]