segunda-feira, 4 de agosto de 2008

90 anos do final da 1ª Guerra Mundial

A Aline (pré-vest) lembrou dessa data importante, então, antes de qualquer coisa, gostaria de agradecê-la pela colaboração.
Bom, para começar, gostaria que vocês lessem um texto bastante esclarecedor sobre a Primeira Guerra Mundial:
Agora, algumas observações e curiosidades:
É importante lembrar que a Primeira Guerra Mundial, a Guerra das Trincheiras, foi uma guerra de transição entre um modelo ainda carregado de elementos medievais (o uso do cavalo, por exemplo) e o modelo que viria a ser conhecido como o da guerra contemporânea (a partir da implementação de novos artigos bélicos, tais como: tanques, metralhadoras, aviões, já plenamente utilizados na Segunda Guerra Mundial).
Apesar de ter sido um dos conflitos mais cruéis de que temos registro, ela também é denominada como a Última Guerra Romântica, pois foi a última guerra onde os pactos entre as tropas inimigas eram respeitados.
Protegidos por arame farpado, os exércitos se enterravam nas trincheiras, onde a lama, o frio, os ratos e o tifo matavam tanto quanto as armas e os canhões.

Soldados nas trincheiras
Fuzil da 1ª Guerra Mundial
Achei na internet alguns depoimentos muito interessantes:
"Falta-nos praticamente tudo. Aprendi cedo a dependurar o pão num arame para o pôr fora do alcance dos ratos, a dormir com os sapatos apertados, porque tentar calçá-los depois de os tirar era uma ilusão, a dormir enrolado num capote molhado, dormir 4 horas no meio de algazarra, de gritos humanos, de cheiros pestilentos, mas a dormir." (Florent Fels, in Voilà)
"A alguns passos de nós, no fundo da trincheira, jaz um corpo. É de um oficial subalterno; está semi-enterrado; só se vê a cabeça, um ombro e um braço com a mão em gancho. Está ali desde a véspera, o braço retesou e ergueu-se, e naquela mão, naquele braço, se engancham e tropeçam todos os que vão e vêm por aquela passagem estreita. Era preciso cortar aquele braço ou afastar o corpo. Ninguém teve coragem para tal" (R.Cazals, Cl Marquié, R. Piniès, Années cruelles 1914-1918, in História da vida privada, direcção de Philippe Ariès e Georges Duby, vol.5)
Foi exatamente deste contexto que surgiram as vanguardas européias e, com elas, a revolta, a negação da razão, a descrença em relação à religião e ao Estado e a desilusão com a idéia do progresso da humanidade. Nas palavras do pintor Marx Ernest: “Dadá foi a explosão de uma reviravolta da vontade de viver e da cólera; foi o resultado da absurdidade, da sacanagem dessa guerra estúpida. Nós, os jovens, voltamos da guerra atordoados e nossa indignação precisou manifestar-se de alguma forma. Isso aconteceu naturalmente através dos ataques aos fundamentos de nossa civilização que provocou a guerra, ataques à língua, à sintaxe, à religião, à lógica, à literatura , à pintura, e assim por diante
Então, o que me dizem?

4 comentários:

Aline disse...

Particularmente, História é uma matéria que me fascina, principalmente assuntos marcantes como as guerras. Mas ao mesmo tempo que me fascina, me intriga, pois não entendo como às vezes, o ser humano, por tolices, se coloca em determinadas situações que não tem mais volta !
Depois vou ler o texto que você colocou no post com calma prof =)

Beijos

Luciana disse...

Aline, devo confessar que sou mais do que apaixonada, sou uma alucinada por História, rs. Amo de paixão os séculos XIX e XX (principalmente a primeira metade deste último)e é um enorme prazer estudá-los. Meu trabalho como pesquisadora e professora se faz a partir do diálogo entre Literatura e História, e ficarei muito, muito feliz mesmo se conseguir passar para vocês um pouquinho desse meu entusiasmo por esses dois campos fantásticos do saber.
Leia o post com calma e depois comente, viu?
Beijos

Danilo disse...

vou dar uma lida no site que a senhora colocou depois. Gosto de História, não tanto quanto exatas, mas gosto haha!

É "legal" ver esses depoimentos, pois não pode ser de todo bom ver isso, pois tem o lado mau da história muito bem descrita por sinal.
Mas as partes das duas Guerras Mundiais eu gosto bastante. Assuntos mais recentes da História são mais interessantes, mostram algo que pessoas conhecidas nossas puderam presenciar e por isso nos passar uma idéia menos abstrata do que aconteceu.

Luciana disse...

Danilo, você me lembrou de um ponto interessante sobre História Contemporânea.
Quando pensamos na História do século XX, devemos ter em mente que o próprio modo de se escrever História (Historiografia) passou por uma grande revolução. Na primeira metade do século passado, alguns historiadores como Marc Bloch, Lucien Febvre e Fernand Braudel estavam descontentes com o antigo modelo historiográfico (a história escrita a partir da vida de figuras ilustres e de grandes acontecimentos, a partir de documentos e registros oficiais, etc.). Eles resolveram valorizar os personagens comuns, sempre esquecidos, mas que também construíam a história. A história então passou a não ser escrita apenas pelos vencedores (vista de cima) e começou a dar voz aos vencidos e às minorias (uma história vista de baixo). Além disso, esses historiadores adotaram outras fontes documentais (tais como relatos, depoimentos, fotografias, etc.) A partir daí surgiu a Nova História.
Se hoje nos emocionamos com os relatos de ex-combatentes, com as lembranças de ex-escravos, devemos agradecer a esses historiadores pioneiros que internalizaram e deram vazão ao espírito revolucionário e contestador de sua época (a época das vanguardas européias).
A propósito: também adoro a história das duas grandes guerras.
Bjs