terça-feira, 12 de agosto de 2008

Uma verdade inconveniente


Queridos,
acho que muitos de vocês já viram o documentário Uma verdade inconveniente, não é mesmo? Bom, quem ainda não assistiu deve fazer isso logo! O tema além de ser muito atual é de extrema importância. Vejam essa foto publicada pelo Jornal O Globo em 15 de abril de 2008:
Lixo ao redor da Terra
Eis aqui uma resenha do filme que também traz uma reflexão interessante sobre a responsabilidade da mídia em relação à questão do aquecimento global. A autoria é de Nelson Hoineff, crítico de cinema do site críticos.com.br:
“Dos muitos débitos que a mídia tem com a sociedade, o maior é o da banalização da notícia. Ao banalizar a informação, a mídia rejeita sua capacidade de fazer com que cada uma das pessoas que atinge, muito especialmente as milhões de pessoas que confundem reprodução com representação do real, tornem-se agentes de transformação da sociedade. Tome-se a televisão como exemplo. O meio não permanecerá massificado por muito tempo. Mas se as incontáveis horas gastas até agora com os grotescos embustes jornalísticos e ficcionais que invadem todos os dias os lares de milhões de espectadores, se esse tempo fosse aplicado na informação de todas essas pessoas, o mundo seria diferente (e a própria televisão seria certamente mais lucrativa).
A mídia tem falhado grosseiramente, entre outras coisas, em despertar a consciência ecológica das pessoas. É uma questão supra-partidária, praticamente consensual. E no entanto a população da Terra continua dilapidando todos os dias a qualidade de vida na sua vizinhança, inviabilizando a possibilidade de vida futura no planeta. O aquecimento global é a mais recente fonte de preocupação ambiental em todo o mundo e o estarrecedor é que a consciência em torno do problema tenha se formado tão recentemente.
(...)
A desatenção da mídia à sua obrigação de informar tem colaborado para que a praia ou o igarapé que estava ao lado desapareçam como por encanto num par de anos. Pode-se visualizar a olho nu o que estamos fazendo com nosso planeta. A mesma negligência midiática permitiu que o meio-ambiente se tornasse um atraente produto de venda de políticos inescrupulosos e parasitas afins. Em época de eleições, é assustador observar a quantidade de oportunistas que se apresentam como defensores do verde, quando o único verde com que se preocupam é a nota de cem dólares.
(...)
Uma Verdade Inconveniente é a documentação da itinerância internacional de uma palestra sobre o tema, conduzida com grande habilidade por Al Gore, o democrata que por pouco não ganhou as eleições para presidente dos EUA. Ele foi derrotado por Bush num resultado que envolveu várias recontagens de votos na Florida e até hoje é cercado de dúvidas.
Gore faz essa palestra há seis anos. Levanta questões essenciais sobre a produção de combustíveis fósseis e o rápido desaparecimento de geleiras ou a ocorrência de catástrofes climáticas. A extensa pesquisa que mostra lança sobre sua platéia uma extraordinária coleção de dados sobre os perigos do aquecimento global e o que poderia ser feito para reduzir o seu impacto. (...) Uma Verdade Inconveniente faz timidamente pela sobrevivência do planeta o que a mídia poderia fazer numa escala gigantesca, de que nenhum filme é capaz. Desperta a consciência para a iminência da extinção da raça humana, que até bem recentemente os cientistas só esperavam para os próximos milhares de anos. Mostra que a qualidade de nossa vida no planeta vai piorar na semana que vem, e no próximo ano, e todos os dias. Essa não é uma invenção do protagonista – é um consenso científico. A palestra de Al Gore faz de cada um de nós um personagem de O Senhor dos Anéis. Quem conseguir se abstrair do natural voto de desconfiança que deve ser dado a qualquer político, dificilmente vai dormir sem se perguntar o que pode fazer para salvar o planeta.”
(“O atrofiar das consciências”, extraído de http://www.criticos.com.br/new/artigos/critica_interna.asp?artigo=1105)
Então, o que me dizem?

4 comentários:

Aline Simões disse...

Esse documento sem dúvidas é chocante, pois você começa a imaginar tudo que pode acontecer com o planeta, mas acredito que, de certa forma, seja manipulado, afinal de contas, o Al Gore é um dos seres humanos que mais gasta energia e um dos que mais polui(tem 5 carros e todos a gasolina) no mundo e, consequentemente, o que menos contribui para o fim do aquecimento global ! Estranho logo ele estar fazendo um documento sobre aquecimento global, no mínimo uma irônia né ? =)

Beijos

Luciana disse...

Aline, realmente a figura do Al Gore é bastante contraditória. Inclusive o próprio documentário exibe alguns momentos dramáticos da vida familiar dele, enfim, em certas horas soa como uma espécie de "propaganda".Além disso, essa história do desperdício de energia foi bastante noticiada (e com certeza deve ter algum fundamento).
No entanto, acho que o mais importante é abstrair a parte "trash" e focar no que realmente está acontecendo com o planeta: ele é um organismo vivo, auto-regulável e está sofrendo!
- Momento filosófico -
Para refletir: quem nos garante que estaremos todos vivos amanhã? Quem me garante com absoluta convicção que poderei assistir mais um pôr do sol?
Para sobrevivermos e diminuirmos as angústias do próprio fato de estarmos vivos, criamos ficções.
Essa capacidade de abstração, de criar, de imaginar é o que nos diferencia do resto dos animais. Assim, independente da ficção literária, a ficção está presente em tudo o que é humano. Então, a certeza de mais um dia, de mais um ano, de mais uma década... é uma ficção que nos garante uma espécie de estabilidade, não é mesmo?
Será que a natureza não está nos dando indícios de nossa simples condição humana?
Beijos

Aline Simões disse...

Sim, acredito que a natureza esteja nos mostrando algo que devemos pensar com "carinho", afinal, os dados não mentem : está ocorrendo uma modificação no planeta. Mas, em tempos pretéritos, a Terra, que ainda nem sonhava em possuir vida humana, tinha altíssimos níveis de CO2 e outros gases que são considerados nocivos à natureza e, mesmo assim, ela conseguiu evoluir e desenvolver a vida. Para mim, esse lance de aquecimento global soa como uma propaganda dos países desenvolvidos, principalmente dos EUA, para derrubar o possível desenvolvimento que está ocorrendo nos países subdesenvolvidos ! Uma jogada de marketing, muito inteligente por sinal, afinal de contas, quem são os EUA pra dizer alguma coisa da poluição, uma vez que eles são os maiores causadores disso tudo ? Como eu havia dito antes, isso tudo é no mínimo uma irônia do destino =)

Beijos

Luciana disse...

Aline, respeito sua opinião, mas acho que a idéia de jogada de marketing é uma espécie de teoria da conspiração... Cuidado ao utilizar esse argumento porque você tem contra ele dados empíricos, fatos verificados e comprovados por cientistas extremamente qualificados.
Com certeza o planeta não vai deixar de existir, pois como disse, ele tem a capacidade de se auto-regular etc. O que pode deixar de existir nele é a espécie humana e tantas outras milhares de espécies animais e vegetais.
Lembre-se de que a raça humana é a maior predadora que já existiu em nosso planeta.
Isso sim é uma ironia :)
Beijos